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domingo, 1 de maio de 2011

O Sentimento e sua Imortalidade

Sentimentos e lembranças são muitas vezes amantes que andam de mãos atreladas, porém só um é forte o bastante para resistir ao tempo.

Lembrança, sua existência depende fragilidade da mente humana, da subjetiva e mutável memória.

Já o sentimento, uma vez que brotado em nossos corações, sua semente é solta ao vento e enfinca suas raízes na linha do tempo. Forte o bastante para existir por si só, inteligentemente incorpora-se ao poderoso tempo, liga-se a seu corpo e lá cresce de acordo com a forma com que o alimentamos. E mesmo que cessado nossos cuidados, mesmo que estes durem apenas por mero segundo, uma vez que o sentimento toma forma e ganha existência, esta condição, o existir, torna-se imortal pois é capaz de se manter por si só, desenhada no corpo e poros de nada mais nada menos que o tempo, porém não o tempo presente ainda mutável e nem o futuro mais incerto ainda, e sim ao indubitável e concreto passado, pois este é aquele que guarda tudo o que uma vez existiu fazendo-os eternos escritos imortais.

Carol.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

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E eu me pergunto se você já olhou para o céu hoje. Aquela bela imensidão azul se dispõe para ser contemplada a qualquer momento e em nossos dias conturbados, repletos de obrigações fúteis e supérfluas, não tiramos ao menos um minuto para encarar este que é simples e sem forma.

Na sociedade e sistema em que vivemos, inconscientemente -ou conscientemente- fomos obrigados a abdicar nossos verdadeiros desejos e vontades para podermos nos encaixar e ganhar dinheiro para ‘viver confortavelmente’.

É um ultraje pensar que por causa de nossas rotinas, passemos despercebidos a essa energia que flui de ser vivo a ser vivo. À água que brota da terra por vontade própria e acha sozinha seu curso até o mar; ao vento que sussurra tocando a grama e as folhas das árvores fazendo-as bailar às suas notas; quando os raios de sol alaranjados tocam a superfície branca e macia de uma nuvem tingindo-a com a sua cor enquanto ela sede sua forma para então se formarem obras primas flutuantes, pairando sob nossas cabeças.

A vida é a complexidade de uma enorme seqüência de simples combinações, que se expõe ao nosso olhar todos os dias de forma tão pura, porem mesmo assim preferimos viver nossa rotina ignorando esta grande força presente em nós e a nossa volta.

Vivemos tão fechados em caixas de concreto que treinamos nossos olhos e sentidos a verem somente o que nos é pedido e imposto e ao sair desses ambientes, simplesmente não somos capazes de notar que ha vida em toda parte e não somente paredes finas e inativas, ou pior, não somos capazes de notar que essa mesma vida flui em nossas veias.

Um dos maiores pecados que podemos cometer contra essa nossa mãe é nos esquecermos de uma das maiores dádivas que recebemos: os sentidos. Não cabe nos conformarmos que usemos nossos sentidos apenas por funcionalidade e esquecermos de que se é para ser usado com prazer.

A vida nos oferece a incerteza como uma de suas maiores virtudes, para que assim possamos ter o gostinho da curiosidade e do medo, porém nos contempla com o nascer do sol todos os dias, que mesmo coberto por nuvens traz a certeza da luz e do dia em suas costas – em que a certeza é o mais pesado dos fardos a se carregar. E na noite preta, acende um farol metamórfico no céu que é acompanhado por esperança, de que a noite pode ser totalmente escura, mas mesmo assim nas que a seguem, milhões de estrelas podem brilhar para desenhar beleza naquela negra imensidão.

A vida nos mostra em sua essência o quão pouco precisamos para ser feliz – e não apenas satisfeitos- cabe a nós somente nos entregarmos a esta que nos deu origem que seremos recebidos como filhos que somos para viver nesta harmonia.

Carol.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Prisão de Carne

E ainda que tivesse livrado-se da moral e seus atos eram agora súditos de seus desejos, esta camisa de força impenetrável mostrou-se impossível de se desvencilhar.

Maldita condição carnal, poderosa o suficiente para aprisionar o mais selvagem e amorfo dos seres. A alma, como quero-te livre! Para poder então dançar com os ventos irmãos e em seus passos encontrar o que a preencheria suave e intensamente. Tão forte e poderosa, porém limitada, sua condição faz meus olhos sucumbirem às lágrimas e meu coração ainda insatisfeito.


Hadassa - Carol.

A Máscara do Carrasco

Sem se importar com o tempo e aparência, pela primeira vez revelou-se, fez exatamente o que seu coração pedia e desprendida da moral, foi de encontro com suas verdadeiras vontades.

Ineditamente não se perguntava o porquê, este já não era importante e sim os fatos em si. A leveza e sinceridade daquele momento tomaram conta de seu interior e sua intensidade fez-se transparecer para além de pensamentos, em ações.

Via-se agindo por impulso, um impulso tão forte que se tornava inquestionável, a razão de fato. O pesado impulso que fazia a leveza do momento.

E nessa relação intima com seu ser – que a muito não vivenciava tamanha cumplicidade- redescobriu-se e abriu-se para quem mais temia, a si própria.

Ela pode finalmente ler e entender claramente seus verdadeiros sentimentos e pensamentos, sem serem cobertos pela máscara da moral – imposta tão cedo em nossas mentes.

Livrou-se do que a segurava e agora pairava e desfrutava da simplicidade do livre pensar. Compartilhava aquele momento só e somente com seu coração, que sorria satisfeito e completo. Porém se perguntava, quando foi que deixou de ser cúmplice de si mesma?

Quando e como a obrigaram a crescer e deixar sua simples inocência para trás? Ah, como sentia falta daqueles dias em que tudo tinha tantas cores e sua vida era regida pela doce, inocente e simples verdade.

Inocência essa que foi brutalmente arrancada e substituída por regaras, regras e leis de boas maneiras e conduta. Fizeram-na guardar, mais que isso, esconder - como se fosse algo a se envergonhar – sua essência e incorporar em seu lugar as imposições de uma sociedade falsa e dissimulada que toma conta de seus filhos mais nobres sugando-lhes a luz da singularidade.

Desperdício grotesco, pobres seres, faltava-lhes força para lutar conta esta criminosa corrompida. Eram tomados quando ainda tão jovens que não dispunham dos artifícios da consciência e vontade própria, puros e até então sem malícia, eram tocados por essa suja garra e jogados no sombrio e destorcido mundo dos adultos.


Hadassa - Carol.

Prisão de Regras

Se sinto essa avassaladora vontade dentro de mim, o que me impede de realizá-la? O que pode ser mais forte que isso?

Me consome como castigo por a ignorar, maldita desejável e inalcançável, plantada fundo em minha alma, tão profundo!

Quando é que vou poder te provar? Livrar-te dos laços da moral para que assim cresça e semeie suas sementes ao vento que leva meus sussurros e suspiros aos lugares que já não posso chegar.

Fortes raízes, essas que me prendem ao chão, enfincadas ao solo por meus ancestrais e que me seguram até os dias de hoje.

Hadassa - Carol.